que ninguém vê
Na minha câmera tem fotos que ninguém vê. existem na memória, no apego. tão falsas e tão minhas que ninguém vê. tão falsas e tão minhas que o céu não vê. falsas como discos,lembranças,beijos, amuletos, futuro, certeza, destreza, amor (?). tão falsas como a sua mão me conduzindo na chuva. não, a mão do meu irmão me conduzindo na chuva e eu voltando pra te buscar correndo ou eu voltando correndo pra te pedir pra ficar que a chuva chovia e era melhor eu me molhar sozinha. tão falsas como o meu desespero na chuva sozinha, esperando parada que você viesse correndo na chuva pra se molhar comigo mesmo que eu não quisesse, mesmo que eu não pedisse, mesmo que eu não precisasse! e o meu sorriso na chuva sorrindo com lágrimas que perdiam o sal. mas que corriam mesmo perdendo o sal na chuva pra te dizer que era bonito você assim correndo na chuva pra me dizer que ia se molhar comigo, gritando na chuva no meio dos trovões, gritando dizendo que estava vindo, que ia pegar na minha mão e não ia mais largar, mesmo que chovesse até sempre. tão lindo meu sorriso dizendo que sim. tão falso agora dizendo que sim. que ninguém vê.

Escrito por Cléo De Páris às 18h11
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