não sei se olho pra você ou se pisco mais demoradamente. não sei se compro a folha de são paulo, se ouço rádio, se sonho. não sei se escolho um vestido colorido, se passeio de cabelos soltos, se suspiro, se desmancho um cachecol. não sei se pinto as unhas, se cantarolo aquela cançãozinha triste, se como um caqui. não sei se é melhor o filtro solar 30 ou o 60, se passo o sinal vermelho correndo, se adianta comprar sapatos. não sei se acordo cedo, se levo guarda-chuva, se leio o poema, se ponho mais açúcar, se dou esse sorriso pra você me olhar. não sei se descruzo as pernas, se tomo sorvete de chocolate, se escrevo a palavra volúpia, se mordo o lábio, se mudo de xampu. não sei se volto pra buscar o chapéu, se troco as pilhas da lanterna, se vou de elevador, se dou a moeda, se fotografo a joaninha, se cochilo no ônibus, se demoro no chuveiro, se aperto a espinha, se escolho a meia de gatinhos, se passo rímel, se olho pra trás mais uma vez, se desvaneço no seu colo, se penduro a cortina, se lembro do momento mais lindo, se esqueço a reunião, se respiro fundo, se discuto com o zelador, se coloco a medalhinha de são jorge, se pago a conta, se entro em desespero, se imagino um deserto de sal. não sei se vou ficar muito tempo, porque já é um pouco tarde, tem muitas lâmpadas acesas, os cigarros andam meio bestas e nada faz parte de mim.


Escrito por Cléo De Páris às 22h13
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